Saudade


Eu quis cantar a Saudade,

[Hino lindo de verdade],

Mesmo sem ser emigrante...

Quedei-me na minha rima

E nunca veio ao de cima

O clamor de ser distante.



Saudade, palavra triste

Para todo o que desiste

De um dia cá voltar;

Um choro alvo de neve

Cai no coração que deve

Ter a alma a soluçar.



Oh, ilha doce de encanto,

Do Divino Espírito Santo,

E dos arraiais em chama;

És o sal do meu viver,

És tudo o que quero ser

Quando o teu luar me chama.



Oh, plácida estrofe da ilha,

Que me tiras a cedilha

Nos versos que vêm a lume:

Azoriana, tom de alma,

Que não arrecada palma

Nem bonina de azedume.



Rosa Silva ("Azoriana")

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