Nove ilustres cantadores
Num leque de gerações
No Lugar que nos Açores
Chamou nossas atenções.
Em noite de Cantoria
Vinte e quatro de Setembro
Brilhou pelo fim do dia
Parceria que relembro.
Dois a dois foram içando
Os dons e a sua fama
E com aplausos ganhando
Os risos de quem os aclama.
Três eram de São Miguel
Um deles o mais antigo;
E São Jorge no painel
Teve um cantar de amigo.
Em dia de aniversário
Recebeu grande festejo
E aqui no meu diário
Deixo abraço ou beijo.
Esta data não esqueço
Véspera da do meu filho
E ganhou o meu apreço
A cantar ele teve brilho.
Da nossa ilha Terceira
Quatro cantadores honrados
Entre eles a cantadeira
Que cativa mais agrados.
Por ser a nova mulher
Com garra e à-vontade
Tenha o mote que tiver
Conquista popularidade.
Acho que irá ter futuro
No traquejo do despique
Virá tempo mais seguro
Com o verso sempre a pique.
O cantar de improviso
Perante um adro cheio
Pode turvar o juízo
Quando a rima vai a meio.
Eliseu estava atento
E foi feliz cantador
Que a todo o momento
Lhe deu um grande valor.
Acho bem o incentivo
Do mais velho p'ró mais novo
E também um bom motivo
P'ra animar o nobre povo.
Do Canadá, Montreal,
Veio outro dos cantadores,
Que preza o ideal
E a arte dos Açores.
Se eu quisesse tinha aceite
O convite da Comissão
Mas a água e o azeite
Fazem sempre separação.
Por mim, canto na escrita,
E não faço revisões
Se é feia ou bonita
É fruto de ocasiões.
Agradeço simplesmente
À Comissão do Império
Que sorriu, certamente,
À escolha a seu critério.
Não posso falar de uns
Porque só ontem os ouvi
Entre estes havia alguns
Que deram muito de si.
A idade é traiçoeira
E consigo traz tristeza
Na nossa ilha Terceira
Reina uma fortaleza.
João Ângelo é o herói
E não lhe ponho defeito
Porque ontem então foi
O que me fez mais efeito.
Naquele olhar risonho,
Naquele modo especial
Para todos é medonho
Levanto o riso geral.
Cantar assim ao relento
Nas nossas festividades
Aliado ao talento
Das espontaneidades
É sorte e é provento
Das nossas variedades.
Dou vivas à Comissão
Que junto os Cantadores
Numa festa de emoção
Com eco além Açores
Uma beleza de serão
Que merece mais louvores.
São Carlos: festa famosa
Com dilúvio de gente
Quer em rima quer em prosa
É alto e competente
E nos versos desta Rosa
A prima festa presente.
À Ceia dos Cantadores
Fui pela primeira vez
Ó gente de grã valores
Que satisfação me fez
Na partilha de sabores
Da última festa do mês.
O gosto da Irmandade
É doar em sã partilha
É fazer da Caridade
O prato forte da ilha
Saber que a Divindade
O coração nos perfilha.
Divino Espiríto Santo:
Coroa, Ceptro e Bandeira,
Fazem do Lugar encanto
Chamam a ilha inteira
Um tanto de cada canto
Em São Carlos da Terceira.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigada pela visita! Volte sempre!