Orando

Oh, minha Mãe tão querida,

Que sabes nosso interior,

Dai-me euros nesta vida

P'ra ajudar-Te com fulgor!

 

Sabes que gosto de Ti,

E da Tua Festa em pleno,

Mas 'inda não consegui

Elevar o que é pequeno.

 

Abro a minha carteira,

Vejo pouco ou quase nada,

E assim desta maneira

Acho que fico varada.

 

Nem que tenha de ir a pé,

Nem que peça alguma esmola,

Quero que a minha fé

Seja também uma escola.

 

Uma escola de amor

Pelo que temos à beira

Que nos dá ao interior

Uma força verdadeira.

 

Minha Mãe imaculada,

Fazei milagre do dia,

E na minha caminhada

Levarei a "Avé-Maria"!

 

Tenho o coração sentido

A alma estilhaçada,

O meu juízo perdido

E não me resolve nada.

 

A pobreza de valores

Materiais é notória,

Mas guardo as tuas cores

De Virgem Santa de Glória.

 

Viveste sem qualquer luxo,

Criaste o Deus Redentor,

Mas a família que puxo

Precisa do grã penhor.

 

Oh, Matilde, minha mãe,

Que viva já não estás,

Fazei que haja alguém

Que ajude, se for capaz.

 

Se minha casa é branquinha,

Se meu quintal é tratado,

É graças à andorinha

Que voa sobre o telhado.

 

O telhado que protege

Teus netos e tua filha

E mais alguém que ora rege

Este coração de ilha.



Rosa Silva ("Azoriana")

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