Lembrete

O dia nasceu cinzento

Mas uns pinguinhos, sem vento,

A gente até tolera.

O que faz inquietação

É o que li na "União"

Que não estava à espera.



As coisas são como são,

Cada um tem a visão

Do tamanho do seu olhar.

Por mim, cá vou andando

Ora rindo, ora chorando,

A ver o tempo passar.



O que inquieta somente

É ver que tão de repente

A morte leva alguém;

Os vivos têm esperança

Vão tombando sua herança

Até não verem vintém.



O pior são tristes bocas

Que no fundo ficam ocas

Sendo a vida uma passagem.

Se fez bem é porque fez,

Se fez mal fica na vez

De levar em derrapagem.



Mas onde quero chegar

E andei a vaguear,

Perdendo alguns valores,

"Assaltos" ao meu diário

Fazem mossa no fadário

E guardo nos bastidores.



Eu nem sou mulher ruim,

Gosto muito de alfenim

Mesmo sem puder provar;

Mas se viro do avesso

Algo vem em arremesso

Com a alma a chorar.



Rosa Silva ("Azoriana")

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