Rima a saudade com a alegria;
Rima a festa com Maria;
Rimam os anjos e santos
Rimam os meus tristes prantos.
Rima a pobreza farta
Rima a dor com a saúde
Rima o mal com a virtude
Rimam todos os sabores
Rimam as ilhas dos Açores.
Rima a rima em contra-mão
Rima o verso e a canção
Rima o sorriso e o choro
E rimo, por fim, no coro.
Quem me dera ver Maria
Na sua Festa anual
Ela é a Estrela - Guia
Do meu verso habitual.
Quem me dera ter vintém
Para a muda triunfal
E puder levar alguém
Para aquele chão matinal.
E de lágrimas ao vento
No rosto de outra era...
Quem me dera um talento
Na hora que se venera.
A Serreta é minha Luz,
Amparo de trajectória,
Neste Setembro seduz
Quem já viu a sua glória.
Serreta está mui velhinha
Na sua população
Parece uma andorinha
Naquela vegetação.
E muitas aves do céu
Voam p'ra lá como dantes
E o seu povo ilhéu
É composto de emigrantes.
Emigrantes que não falham
À Festa maior do Ano
E dum tanto que trabalham
Pró Santuário Mariano.
E eu aqui, angustiada,
Deserta da santidade
Não posso já fazer nada
P'ra ser da comunidade...
Só me resta uma flor,
Um sorriso e a cortesia
E cá dentro o meu amor
Por Cristo e por Maria.
- Então, porque sofres tu?
Perguntam vozes internas...
- Porque é vazio e cru
O meu amor sem lanternas.
Mas quero ouvir o sino,
Os foguetes e meu filho;
Quero ouvir do céu um hino
E ver as cores do Brilho.
Sou mais feliz em Setembro
Desde que era criança
E de tudo o que me lembro
Da Festa e da Briança.
Mas hoje sou mesmo nada,
No entanto, sou feliz:
Enquanto há alvorada,
Enquanto algo me diz!
Rosa Silva ("Azoriana")
Canto da minha alma
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