"Serra pequenina", por Félix Rodrigues

Praticamente toda a gente que bloga (ou não) sabe que tenho (e sempre tive) um especial carinho pela freguesia natal - a Serreta. Engendrei uma página para ela e sempre que a inspiração solta um ar de sua graça, lá estou eu a rimar ou a prosar sobre a freguesia cuja população tende a decrescer. Mesmo que ausente dela há mais de vinte anos (porque resido na presente data no lugar de São Carlos), continuo atenta a tudo o que se diz, comenta ou produz sob o termo "Serreta", que quer dizer "Serra pequenina".



Precisamente hoje, 22 de Julho 2009, deparei com um poema que a canta melodiosamente. O seu autor é conhecido, é um amigo simpático, é detentor de um blog que não tem nada de «Desambientado» mas assim o intitula, é criador de belíssimos poemas, etc. Encantei-me com a surpresa. Peço licença para o publicar no meu blog e espero que o seu autor fique feliz:


Serra pequenina

Os elementos dilaceram a terra
Coberta de pedra-pomes,
Burilando domos,
Enquanto criam veias profundas,
Onde a água é sangue que alimenta
Um corpo de laurissilva.

O nevoeiro corre,
Entre bermas ravinosas de ribeiras,
Num deflúvio da serra,
Que o aprisiona e liberta,
Ao ritmo dos dias e das noites
Ou do pulsar jovem de coração vulcânico.

Serreta,
Minha serra pequenina.
Menina, ribeira, ravina.
Lava, lavada,
Numa inspiração divina.


Félix Rodrigues

Angra do Heroísmo, 18 de Julho de 2009

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