Recordatória serretense

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2009.Julho.27

Amanheceu.
Pé ante pé
lá vou eu.
A cabeça não quer mas a mente empurra-a e tem de ser.
Tem de seguir-se o ritual do novo dia.
Na lembrança ficam os
momentos da véspera. Uma festa na harmonia do ambiente verde tocado
pelo azul e pelas gentes.
O Sol pisca-me com seus raios e
aquece-me. Tinha frio. Já me habituei a este meu frio. Vou aquecendo
devagar.
O dia desponta recortando horizontes de luz e cor. A ilha
está calma e bela.
A paisagem transparece radiosa com o Monte
Brasil refastelado na ponta da terra.
O mar parece uma estrada de
água pura parada.
À minha ideia chegam os meus pais, a
minha avó, o meu passado
. É a saudade do que já não consigo ser...
Jovem!
Estou precisamente na véspera do dia que se comemorariam os
quarenta e nove anos (para o ano seriam as Bodas de Ouro) que meus
pais uniram suas vidas (28.Julho.1960) e, que agora, estão unidas fora
do mundo dos vivos.
Quedo-me na solidão deste pensamento e deixo-me
ficar queda.
Quão feliz fui naquele dia (28.Julho.1985) e hoje,
véspera do dia, sou feliz noutra via, quem diria?!
Não faço a minha
comemoração mas pensarei na deles. Sofreram demasiado e não deu tempo
de festejar uma data inigualável. Eu também não. Já tive pena, agora
não. As festas só valem quando o coração as acompanha.
Ontem meu
coração acompanhou a festa (26.Julho.2009) que se fez na Mata da Serreta. Sinto que eles adoraram tal como eu.
A Casa do Romeiro estava requalificada para nos receber e a festa aconteceu tal como eu a imaginei.
A entrada em cores arrojadas. As bandeiras formavam o ponto de honra no interior. O cheiro a novo presenteava-nos com uma linda mesa e uma lareira bordando a parede coroada por um tecto trabalhado a rigor. No lado esquerdo da grande sala o projectar de slides regionais. Seguiam-se os compartimentos de lembranças de outrora: a cozinha à moda antiga tradicional com pormenores (forno a lenha e grelhador coberto) que nos fazem vir à tona momentos que jamais voltarão mas que podem ser relembrados. A casa de banho que é a novidade e um exterior de frescura, trajado pelas árvores que se mantém de pé, rodeando um recinto aprimorado e renovado pelas acções de beneficiação levadas a cabo pelo Governo Regional - Secretaria da Agricultura e Florestas - Direcção Regional dos Recursos Florestais - Serviço Florestal da Ilha Terceira.
Acredito piamente que a alma dos que cá já não estão e que gostavam da Casa do Romeiro está feliz, na outra dimensão. Talvez se tenha feito a vontade do meu primo Daniel que queria tanto aquela Casa restaurada para os Franciscanos de agora. Servirá para estes e para toda a população que ali queira passar momentos da recordatória serretense.
Pode-se dizer com toda a pompa que a Mata da Serreta, composta por uma zona de piquenique, uma casa de abrigo, um parque infantil, instalações sanitárias, um Chafariz (em pedra trabalhada, transladado para o local proveniente da freguesia do Posto Santo) e a Casa do Romeiro, é uma das Reservas Florestais de Recreio da Ilha Terceira que maior alegria me dá. As outras são: A Lagoa das Patas, o Viveiro da Falca e o Monte Brasil, no concelho de Angra do
Heroísmo.

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