Quadras da minha pena...

Eu tenho uma pena
infinita
Da vida ser uma morte
A outra Vida se fita
Se não
der má paga à sorte.

Mas a pouca sorte que tive
À mistura
com desditas
Faz com que agora prive
Com as horas mais
aflitas.

Quem morresse a cantar
Ao teu lado, meu amor,
E
assim pudesse estar
Como num jardim em flor.

Tenho pena da
partida
Que o berço nos anuncia
E no regaço da vida
Corre,
corre até um dia.

De que vale ter o mundo
Inteiro na nossa
mão
Se a morte, num segundo,
Nos leva tudo então.

Que
estas linhas cantadas
Sejam a eterna alegria
Feita de quadras
rimadas
Na pedra que me vigia.

Rosa Silva
("Azoriana")

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