Toque de ternura

Há um futuro por
abrir,
Um passado sem querer,
Um sonho que me faz rir
E tarda
em amanhecer.

Há um fôlego sentinela,
Deste mundo em
avanço,
Faz furor pela janela
Onde vai o sonho manso.


um pé de vento forte,
Que estremece bem comigo;
Vou deixando à
crua sorte
As dunas onde me abrigo.

Há um faz-de-conta
imenso,
Na dança da madrugada,
Onde o silêncio suspenso
Me
beija logo à entrada.

Há um verde clamoroso,
Um azul em
ondas brancas,
E em ti, um ser bondoso,
Que me torneia as
ancas.

Há um sorriso maroto,
Na vidraça do meu ser,
Que
te entra bem no goto
Quando se faz por prazer.

Há um pé de
terra santa,
E o cheiro do teu colo,
Que se junta ao meu e
canta
Os cantos do meu consolo.

Há e sempre há-de
haver
Palavras em levedura
Que deixo transparecer
Com um
toque de ternura.

Rosa Silva ("Azoriana")

5 comentários:

  1. Uma veia poética inesgotável.
    Faz-me bem vir aqui e sentir a Terceira, particularmente, Angra, S. Mateus, por aí fora, Serreta, Raminho, Biscoitos...

    Com carinho
    António

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  2. Lindo, lindo este teu "Toque de ternura"! Bravo!
    Bj da Jo

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  3. Volte à ilha porque ela o convida... E vá por aí fora e quando chegar a São Carlos visite a minha morada "nova".
    Abraço

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  4. Obrigada amiga. Também gostei muito de o escrever...

    Bj da Azor :)

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  5. Toque de ternura,é que nos falta muitas vezes,não custa nada,mas por vezes esquecemo-nos desse carinho
    Ogrigado minha amiga pelo seu poema

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