Minha alma é como um
véu
Que nunca há-de ser santo,
Apenas e só quando canto
Ouço,
em mim, ecos do Céu!
Um céu que cobre a ilha,
Se refugia no
mar
E nos olhos a cismar
O dueto que partilha.
E nas
lágrimas que tingem
Este caminho de flores
Faz-se chão de
multicores
Onde as rimas não se fingem.
Ai, Amor! Dou-te
cantigas,
Que acendem no coração,
E no véu da tentação,
Com
doce olhar me fustigas.
E ninguém me reconhece
A fundo o céu
do recheio
[O dom que rasga meu seio]
E em bruma se
adormece.
Um desejo tão ardente
Que me percorre o ser
Era
ler este escrever
Nas folhas ante o poente.
Rosa Silva ("Azoriana")
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