Ante o poente...

Minha alma é como um
véu
Que nunca há-de ser santo,
Apenas e só quando canto
Ouço,
em mim, ecos do Céu!

Um céu que cobre a ilha,
Se refugia no
mar
E nos olhos a cismar
O dueto que partilha.

E nas
lágrimas que tingem
Este caminho de flores
Faz-se chão de
multicores
Onde as rimas não se fingem.

Ai, Amor! Dou-te
cantigas,
Que acendem no coração,
E no véu da tentação,
Com
doce olhar me fustigas.

E ninguém me reconhece
A fundo o céu
do recheio
[O dom que rasga meu seio]
E em bruma se
adormece.

Um desejo tão ardente
Que me percorre o ser
Era
ler este escrever
Nas folhas ante o poente.



Rosa Silva ("Azoriana")

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pela visita! Volte sempre!