Quando li a data do
aniversário natalício vinda no e-mail pensei: faltam quatro meses para
o aniversário e a Clarisse comemora-o antecipadamente?! Não fazia
qualquer mal e o soneto marcava um sonho de dezasseis de Maio. Depois
fui ao blog, como de costume, fazer uma visitinha e encontrei a data
que realmente me parece correcta - 13 de Março. Foi, então, que caí em
mim e lembrei-me que a minha falecida mãe nasceu a 14 de Março. Se
fosse viva faria amanhã 69 anos porque nasceu em 1940, precisamente na
véspera da mãe de Clarisse Barata Sanches, em anos diferentes. Cá está
mais um sinal de que o céu comunica connosco, pese embora eu não me
considerar, nem de longe nem de perto, digna de tal abordagem. Sou um
ser humano com muitas quedas e falhas mas o que me anima é o
sentimento por alguém que me deu à luz, cuidou de mim e em vez de me
dar peixe, ensinou-me a pescá-lo. Não tive tudo de mão beijada mas
tive a herança maior em vida: "a cana de pesca" para que hoje pudesse
escrever, prosar e pôr em cantigas aquilo que lá no fundo ela me
inspira.
Não me considero fanática por um passado recente, nem
me considero a melhor filha do mundo, nem tão pouco a melhor mãe do
mundo, mas há coincidências, ou melhor, sinais que me alertam para
certas ocorrências. Veja-se que a minha mãe este ano faria 69 anos e
eu fixei residência na casa 69. São estes pormenores que vou
coleccionando e que me provam que ela continua a "falar" comigo
através de pequenas coisas. É o chamado valor das pequenas coisas. É
esta a forma que encontrei para não me sentir ao "abandono" porque eu
sempre fui muito pelo que a minha mãe vaticinava, talvez por ser a
filha mais velha e sentir-me na dependência dela. Hoje tal não se
justificaria e seria considerada super-protecção. As mães devem dar um
espaço de manobra aos filhos e deixar que eles tomem o rumo das suas
vidas, bastando dar-lhes as "canas de pesca" para eles saberem
"pescar" a sua forma de estar. Um cordão umbilical sempre atado é
exagero, na minha forma de ver a relação mãe-filha. A estima, respeito
e amor maternal são únicos e devem ser permanecer na nossa lembrança
para nos orientar o futuro.
A crise geral que nos afecta a
todos, na actualidade, é terrível para os mais novos cujas "canas de
pesca" foram dadas sem contemplar os problemas que hão-de vir. Onde
irão trabalhar os nossos filhos? Como vão sobreviver à falta de
"peixe"? Sinceramente, não sei. Temo não puder dar as mesmas "canas de
pesca" que recebi outrora e que me foram muito úteis para o momento,
mas não duram para sempre, como NADA dura
eternamente.
Comemoremos os aniversários natalícios das nossas
mães com o melhor dos sorrisos.
Rosa Silva
("Azoriana")
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ResponderEliminarOlá amiga Rosa. Linda história, e bela lição, Mas não é só isso. Que linda forma de reconhecer e agradecer, o que a mãe fez por uma filha. As mães acham sempre que é tarde quando os filhos reconhecem o papel dos pais, mas isto é a lei da vida já os nossos bisavós assim foram, e os tris-netos assim hão-de ser. Há muitas coisas que só a escola de vida nos ensina. Mas porque mais vale tarde que nunca: A sua mãe estará muito feliz por saber que a sua filhinha, nem só reconheceu como está ternamente grata pelo esforço da mãe, que lhe deu a cana e a ensinou a pescar: E mais ainda: Há um ditado que diz, casa de pois, escola de filhos, e isso é muito importante quando é no sentido positivo. Por tudo isso considere-se muito feliz e não se culpe por um pequenino engano que em nada foi prejudicial. Um Grande abraço Eduardo.
Olá amiga Rosa. Que felicidade ter tido uns pais que lhe ofereceram uma cana e a ensinaram a pescar, tão bom, que a história se vai repetir na sua pessoa, oferecendo também a mesma prenda aos seus filhos. Parabéns . Um beijo Eduardo.
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