Chega o sono da tarde...
Nada de fazer alarde
Porque isto já me passa.
Levanto cedo, p'la manhã,
E dela eu não sou fã
Porque o sono me deslaça.
Sempre fui, desde pequena,
O inverso de morena
E muito amiga da cama:
O sol quando me batia,
De frente, logo se via
A minha tez toda em chama.
Com o clima em mudança
Continua em festança
O sol cá por este lado...
E se assim continuar
Muito vai agoniar
O Inverno bronzeado.
A noite p'ra mim é linda,
Dá-me calma, é bem-vinda,
Se o silêncio impera;
Nos quintais dos Folhadais
As baladas dos animais
Deixam meu sono em espera.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ruralidade
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