Eram dez horas e trinta minutos do dia um de Novembro de dois mil e oito. Com alguns sacos de compras, basicamente com produtos de limpeza e alguns alimentos para tapar o estômago durante uma tarde inteira, aguardávamos o carro que nos transportava até à casa que há seis anos não lhe víamos a cor.
Mal chegámos ao destino, encontrámos uma vedação com tábuas mais altas que um homem, verdes e apenas seguras com um cadeado que, normalmente, serve para amarrar uma bicicleta.
Após a entrada pela rampa cimentada que nos leva até duas portas verdes de garagem, encontrámos a porta que nos dava acesso à cozinha da moradia. Fui a primeira a abeirar-me da dita porta com o coração muito apertado. Olhei em redor e tudo parecia estranho para mim. Apenas alguns detalhes me fizeram reavivar um passado de trabalho e dedicação para conseguir ter tudo de forma a não ter vergonha da presença de alguém. Naquele momento não gostei nada do panorama e chorei para dentro para evitar que me vissem chorar por fora. Há sempre um jeito de arrumar algumas lágrimas. Estava prestes a abrir a porta e benzi-me primeiro. Voltei a olhar para o que estava na parte da traseira da casa e que avistava da porta da cozinha... Um mar de monda e ervas desconhecidas. Os muros estavam mais altos e tinham uma vedação. Ao fundo, avistava uma árvore triste e mais monda alta que nem dava para atravessar para ir ver o cerrado maior... Finalmente, deitei a chave à porta da cozinha e devagar espreitei para dentro... Entrei com o pé direito e olhei o vazio grande que estava na minha frente. Assustei-me: havia falta de recheio. É normal, ao fim daquele tempo só existiam peças deterioradas e com necessidade de lavagem. Mas não tinha electricidade nem água. Sem estas duas, nada feito.
Mas o que mais me espantou foi o “Limoeiro sorridente”. Esse ficará para sempre gravado na parede que dá início ao corredor central da moradia que mantém as mesmas divisões, com alguns defeitos e cores completamente fora do meu tom normal: o branco. Mas aquele limoeiro ficou a reter o meu olhar por um bocado. Sempre tive ideia de pintar uma parede com o meu gosto abstracto, mas um limoeiro com limões sorridentes nunca esteve na minha ideia. Junto à tijoleira, cuja escolha foi eu que fiz outrora, desenhado na parte inferior da parede estava um vaso e desse vaso subia o tronco muito comprido, em castanho escuro, e culminava numa ramagem de folhas pintadas multi-cores, onde predominava o verde e branco, fazendo abranger toda aquela parte superior da parede estreita, antes de virar para a escada que liga ao piso inferior.
O que me chamou mesmo a atenção foram os limões amarelinhos e alguns deles tinham uns olhos, nariz e uma boca em formato de alegria. Daí que lhe chamei logo: o limoeiro sorridente! A princípio irritou-me aquele desenho mas após ver que todos se riam com o limoeiro conformei-me...
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O limoeiro sorridente! - História para a «Fábrica de Histórias»
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