Mais um conto para a "Fábrica de Histórias"

Era uma vez uma princesa com um olho de cada cor. Quando ela vestia o belo vestido com o fundo todo azul, realçava a íris azul. Tudo à sua volta parecia transfigurar-se de azul e todos os recantos que tivessem água adquiriam o tom da Georgia.



Quando ela se cansava do seu vestido azul, trocava para o fato verde que, por sua vez, lhe acentuava a outra íris. Nestes dias, parecia outra e ordenava que a chamassem de Verdana. Já se sabia que Verdana combinava bem com a Consolas. Juntas faziam uma dupla imbatível. Escondiam-se atrás dos arbustos para não levarem com o piscar verde assustador.



Um dia, Verdana tropeçou numa saliência e caiu. Chorou amargamente. O seu fato esburacara e via-se um ligeiro arranhão. A Consolas tratou de fugir a sete pés, não fosse a Verdana pensar que a culpa era dela.



Verdana, devagarinho, foi procurar ajuda. Bateu à porta do Arial e nada. Sentou-se no lado de fora e acabou por adormecer.



Sonhou que um príncipe com um simples toque lhe curava o pequeno arranhão e a levava até um lugar mágico onde havia todas as qualidades de vestidos, de várias e lindas cores. A Verdana assustou-se tanto que ao acordar voltou a rasgar o fato.



Ouviu um barulho vindo do interior da casinha. A porta abriu-se e surgiu um menino ensonado que perguntou:



- O que fazes aqui nesse estado?



- Eu vinha pedir-te ajuda para me arranjares o fato...



Estranhando a atitude de Verdana, Arial deixou voar o medo e balbuciou:



- Ah!... Não posso... Estive numa festa de anos e estou com a barriga cheia de bolo e não consigo sequer abrir os olhos... Volta mais tarde...



Arial fechou a porta, não fosse Verdana piscar verde e transformá-lo em duende.



Verdana apenas teve tempo de dizer: - Oh!



Desolada, foi-se embora pelo atalho da floresta. Chegou a uma parte coberta de espinhos mas seguiu. O fato rasgou-se mais. Um velhote vendo-a assim, chamou-a ao seu casebre. Enquanto ela se limpava, o velhote cozeu-lhe o fato dando uma grande alegria a Verdana. Agradeceu e disse que lhe concretizava um desejo. O velhote retorquiu:



- Vai buscar o Arial...



Verdana ouviu o que o velhote lhe disse e aceitou. Quando chegou a casa do velhote, ao entrar levou com um grande vapor quente que vinha do caldeirão, cujo conteúdo estava a bom ferver. O Arial gostou do cheiro, entrou. Foi direito ao velhote e perguntou o que lhe queria.



O velhote apontou para o fundo da única divisão daquele casebre. O Arial avistou uma folha enorme que continha uma mensagem:



- Nunca se deve rejeitar os amigos no dia de aniversário. Parabéns!



O Arial percebeu a lição e quando se virou para a Verdana para pedir desculpa já esta tinha um lindo vestido, branco rosa com estrelas a cintilar. Os olhos dela ficaram iguais e sorridentes e pediu ao Arial para a acompanhar a casa.



- Vocês agora serão sempre amigos e o teu nome é Ravie.


 


2 comentários:

  1. Muito bem!
    Adorei a tua história, tens uma mente bastante imaginativa, PARABÉNS!
    Beijinhos doces, adoro ler-te ...
    Fica bem, SEMPRE bem!

    David da Silva

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  2. Adorei o blog, parabéns.
    Bjs
    MG

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