Mas já estou preparada com umas quadras para dedicar ao Corpo Santo – Freguesia da Conceição:
Até sempre Corpo Santo,
Foste o meu lar de abrigo,
Onde escondi o meu pranto
Dum desgosto mais antigo.
Chega a hora da partida,
Sempre chora um coração,
Peço amparo p’ra nova vida
Senhora da Conceição.
Cândido era sobrenome
Da rua (e do meu pai);
Jacinto fica no nome
E a dor comigo vai.
Irei rumar p’rá Canada
Que dizem dos Folhadais,
Em São Pedro registada
E São Carlos nos quintais.
Vou ter uma decepção,
Por relembrar do passado,
Tinha tudo da minha mão…
Agora nem sei o estado.
A Virgem Nossa Senhora:
Milagres ou Conceição,
Seja minha protectora
Segure meu coração.
É bem difícil voltar,
Para algo já conhecido,
É quase como imigrar
Sem de lá se ter saído.
Está em “banho-maria”,
Esta minha penitência,
Pode ser que chegue o dia
E Deus me dê paciência.
Eu estava sossegada,
No meu canto à beira-tudo,
Saí de lá desvairada,
Há seis anos p’lo Entrudo.
Mas gosto do Carnaval,
E das festas da Terceira,
Mesmo que se esteja mal,
Canta-se da mesma maneira.
Se a cantiga é dobrada,
E se a guitarra nos chora,
A rima sai animada
P’la prece a Nossa Senhora.
Adeus até qualquer dia,
Adeus meu querido mar,
Adeus canto da alegria,
E a quem de mim se lembrar!
Rosa Silva ("Azoriana")
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