As rugas da estação



Não olhem pra minha cara
Que de rugas já se veste...
A beleza é muito rara
Na cinza de um cipreste.

Dos ramos voam as folhas
Trazem Outonos à vida,
Restando poucas escolhas
À árvore, ora despida.

Só há beleza nas cores
Das nervuras do amor:
Nestas ilhas dos Açores
Cada rosto é uma flor.

Ergo, então, a viva taça
Às rugas da estação,
Que por cada alma passa
No adeus de cada Verão.

Rosa Silva ("Azoriana")

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