Um livro é um tesouro nas prateleiras do mundo. Assim sendo, já tenho um bom quinhão a emoldurar as prateleiras da pequena sala de um apartamento sujeito às intempéries dos dias.
Esta introdução vem a propósito do livro que recebi, esta semana, vindo de Góis - Coimbra - Portugal, da simpática amiga D. Clarisse Sanches, que me recheou a dita sala, e principalmente a mim, de mensagens preciosas.
Mensagens cuidadas, bem medidas e perfumadas de talento é a conclusão a que eu chego. Algumas inspiraram-me glosas, que também aprendi com esta senhora, que nos dá uma rima calma e segura, ao contrário da minha, que é rápida e intempestiva. A prova está abaixo, que foi feita em pouco tempo e nem sequer a reli na altura que escrevi. Peço perdão pelos meus erros.
Na página 73, do livro "Quadras do Meu Outono", ressaltou-me esta quadra:
Mesmo caíndo, caíndo,
Com chagas e ligaduras...
Deus recebe-nos, sorrindo,
Levantados, nas Alturas.
C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)
Glosa
Contra a dúvida, a certeza;
Contra o belo, vem o lindo;
Andam muitos em pobreza
«Mesmo caíndo, caíndo»
Contra o branco, vem o preto
Colado nas pedras duras,
Que nos fazem um carreto
«Com chagas e ligaduras...»
A fé é que é tão alva,
Acordada ou dormindo,
Se a levarmos sã e salva
«Deus recebe-nos, sorrindo»
Embora já não se veja
Almas tão boas e puras,
Vemos santos na Igreja
«Levantados, nas Alturas.»
Rosa Silva ("Azoriana")
E ainda na página 70, do mesmo livro:
Quem diz que não é preciso
Pensar, p'ra dizer direito?
Um discurso de improviso
Nunca fica tão perfeito.
C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)
Glosa
Fico agora sem sorriso
E não me levem a mal...
«Quem diz que não é preciso»
A mudança mundial?!
Morrem pessoas na guerra
Trazendo a dor a eito.
Há que ter tento na terra,
«Pensar, p'ra dizer direito»
E no meu parco juízo,
Que anda sempre a galope,
«Um discurso de improviso»
Hiberna no envelope.
Peço a Deus, nas entrelinhas,
Que em rima seja feito:
Discurso em prosas minhas
«Nunca fica tão perfeito».
Rosa Silva ("Azoriana")
Voltando à página 53, do mesmo livro:
Morte não. Na festa brava
Basta de cena excitante,
Que aquele ferro que crava
É já tortura bastante.
C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)
Glosa
«Morte não. Na festa brava»
'Inda às vezes acontece...
Por cá, isso nem se dava
Nem o toiro sequer merece.
«Basta de cena excitante,»
Aos olhos de quem não tem
Uma vontade constante
De fazer ao toiro bem.
«Que aquele ferro que crava»
O homem a tourear,
Nesta ilha, feita de lava,
Não faça a gente chorar.
«É já tortura bastante»
Saber que até pensam mal
Do povo que leva àvante
O gosto pelo animal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Só para aproveitar o ensejo finalizo indo à página 56:
Uma alegria vivida
Enternece o sentimento,
Mas é sempre a despedida
Dum fantástico momento.
C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)
Glosa
Estou muito agradecida
À Clarisse, lá de Góis.
«Uma alegria vivida»
Em glosa veio depois.
Mulher de bom pensamento
De valores, sãos atributos,
«Enternece o sentimento,»
Com dizeres tão astutos.
Homenagem já erguida
No céu tem esta senhora...
«Mas é sempre a despedida»
Que dá ao luar, aurora.
P'las falhas do meu intento,
Peço desde já perdão,
«Dum fantástico momento»
Vem versos do coração.
Rosa Silva ("Azoriana")
Minha Boa Amiga Azoriana
ResponderEliminarGrata 'stou eu p'la atenção
Ao ver-me aqui a brilhar!
É como ouvir em canção
"Desgarrada de Além Mar"!
"Quadras do meu Outono",
Onde vieram parar!
Até me tiram o sono
E me pôem a sonhar!
É uma honra pra mim
Ver-me á luz da poesia,
Gravada em blog assim
E em jeito de cantoria!
Glose, sim, vivamente,
Para tomar os sabores
De quem está no Continente,
Mas já gosta dos Açores!
Tenho pena se não vejo
Rosa ser entrevistada,
Mas daqui lhe mando um beijo
Por esta graça alcançada!
Abraços da
Clarisse