Ó Rima que tanto encantas!

Érato




Érato - Painel em carvalho de
Simon Vouet


 


Quando a Rima só nos cansa

E a estrofe não balança

Com alva suavidade...

É qu'inda não se encontrou

O prazer que nos dotou

Nosso berço, sem vaidade.



A Rima não se quer pobre

Nem de bronze, nem de cobre

Mas sim do mais rico oiro;

Pérola do verbo amar,

Uma estrela ao luar,

Brilhante de bom agoiro.



A Rima não se quer triste

Mas é lá que ela existe

No silêncio da prosa;

Por cada choro que cai

Melhor estrofe então sai

Com a cura graciosa.



Ela busca a natureza

Onde vê maior beleza

Para cantar noite e dia:

Faz-se em Fado ou Canção

Como lava de vulcão

Faz brotar a Cantoria.



O verso feito de Rima

Que do ritmo se aproxima

Faz embalar a canção:

E das pétalas da voz

Chegam leves até nós

Os hinos do coração.



Na rima dança a poesia

Em completa harmonia

Numa valsa sedutora;

Adocica o compasso

Estreita mais este laço

Com a musa encantadora!




Rosa Silva ("Azoriana")

2008/05/22

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