Sonho ainda...

Ajuda-me, Senhora!



Sou pequena da Serreta

E gosto de a cantar:

Quando me dá a veneta

Não mais páro de rimar.



O SAPO é o guardião

Das minhas inspirações

Mas sentir papel na mão

Dá melhores emoções.



Tenho pena, é o que digo,

De ficar sem ele em vida:

Um livro é um bom amigo,

Não vê-lo é dor sentida.



Mas quem não tem um tostão,

E se sente apreensiva;

Se bate às portas e o «Não!»

É a resposta à missiva...



E eu não sei se mereço

Ter um gosto grande assim;

Mas também sei que padeço

Sem ajuda nesse fim.



Não, não é publicidade,

Nem tão pouco mordomia,

Penso que não é vaidade

Querer bem à freguesia.



Porque não me dizem nada?

Aqui estou a implorar!

Depois desta caminhada,

À Senhora vou orar.



Faz o milagre, ó Mãe!

Porque é chegada a hora;

E do coração de alguém

Venha um «Sim» sem demora.



Rosa Silva ("Azoriana")

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