As mulheres não cantam o Pezinho (que eu saiba) nas modas tradicionais de enfeitar o Bezerro do Divino Espírito Santo. Há quatro anos, na Briança da Serreta, apeteceu-me cantar algumas cantigas, em resposta às que publiquei no blog serretense, datadas de Maio de 2004:
A vontade de cantar era tal que podia ter iniciado assim:
O improviso é ventania
Que segrega o juízo
Adorna a cantoria
Sempre com algum sorriso.
A mulher 'inda não canta
Nestes trajes do Pezinho;
Fica calada a garganta
Mas canta todo o caminho.
Quando cantaram em frente à Igreja, em Maio de 2004, podia ter tentado:
Em frente à nossa Igreja
À espera de Santuário (*)
Mas é digno que se veja
A Mãe ao pé do Sacrário.
Andei sempre no encalço
Destes cantadores fiéis
Nenhum verso foi descalço
No Mestre destes papéis.
(*) Em Maio de 2004, a Igreja da Serreta ainda não era Santuário.
Depois seguiu-se a cantoria à casa do Divino Espírito Santo:
Junto ao Império já temia
Que a rima fosse tremida
Foi debaixo de folia
Que cantiga foi seguida.
João Ângelo no seu estilo
Provocava sempre o riso
Estive sempre a segui-lo
Sem nunca perder o juízo.
Ao botequim do José Grande, dedico uma:
Meu benjamim já se ria
A torto e a direito
Imaginem os da folia
Era gargalhada a eito.
O botequim da freguesia
Merecia homenagem
Sempre lembro que ali havia
Um copito p’ra viagem.
A Sociedade Filarmónica também merece cantigas:
À nossa Sociedade
Tive pena de não cantar
Tinha lembrado com saudade
Meu avô que não vi tocar.
Meu pai também lá passou
Como tantos que já partiram
Sem ser músico ele tocou
Em peças que já ruíram.
Em frente à mercearia que, na altura, pertencia ao presidente da Junta de Freguesia:
No ponto da mercearia
Com a cabeça já pesada
Era tanta a iguaria
Que já não ouvia nada.
Mesmo assim não arredei pé
Dos versos sempre a preceito
Mantive firme a fé
Da Matilde neste feito.
Já na Canada da Vassoura, a cantiga era outra:
Ao chegar a casa então
O movimento era maior
Estava armado o salão
Da cantoria melhor.
Estava tudo inspirado
Na rodada de cantigas
Cada qual sempre voltado
Para lembranças antigas.
Se eu lá tivesse cantado
Ao meu pai e à minha mãe
Em cada verso rimado
Caíam lágrimas também.
O meu pai muito sofreu
Com martírio de minha mãe
Às filhas sempre escondeu
Essa dor que já não tem.
Partiram já deste mundo
Do Pezinho sempre gostaram
Tenho p’ra mim que no fundo
Foram eles que cá cantaram.
Via no rosto das gentes
Convidadas e amigos
Que estavam ali contentes
Como nos tempos antigos.
Um dos versos que ouvi
Na Briança da Serreta
Trago agora para aqui
P’ra não ficar na gaveta.
[De José Gabriel (o Palhito )
Isto para mim é uma prosa
Mas é uma maravilha
Esquecemos de falar na Rosa
Que é da mesma família.]
Agora tenho a certeza
Que foi voz da minha mãe
Que com toda a subtileza
Me deu a conhecer também.
À luz da actualidade, confirma-se o meu intento:
Tive a prova no lançamento
Do “Mestre das Cantorias”
Ficou-me no pensamento
Senhor João destas folias.
Ele lembrava-se de mim,
Naquele olhar vejo azul,
Quem me dera antes do fim
Cantar-lhe a norte ou sul.
Será que Rosa é jeitosa
Quando canta na escrita?
Ao vivo só digo prosa
Mas a rima é mais bonita.
Só me falta ter coragem
De enfrentar este senhor:
Quero prestar homenagem
Ao célebre cantador.
Sei que saía cantiga
Mesmo com desconfiança
P’la Matilde, que era amiga,
Do Pezinho e da Briança.
Voltando ao passado e àquela Briança:
E aos outros cantadores
Que seguiam no cortejo
Merecem gratos louvores
Muita saúde desejo.
A Terceira é exemplar
Nesta longa maestria
E sempre ela soube dar
Bons passos na Cantoria.
Um louvor para a actualidade:
São de São Bartolomeu
As duas vozes parelhas
Uma é do novo Eliseu;
Outra: Ti’João das Velhas.
2008/04/13
Rosa Silva ("Azoriana")
Em frente à nossa Igreja
À espera de Santuário (*)
Mas é digno que se veja
A Mãe ao pé do Sacrário.
Andei sempre no encalço
Destes cantadores fiéis
Nenhum verso foi descalço
No Mestre destes papéis.
(*) Em Maio de 2004, a Igreja da Serreta ainda não era Santuário.
Depois seguiu-se a cantoria à casa do Divino Espírito Santo:
Junto ao Império já temia
Que a rima fosse tremida
Foi debaixo de folia
Que cantiga foi seguida.
João Ângelo no seu estilo
Provocava sempre o riso
Estive sempre a segui-lo
Sem nunca perder o juízo.
Ao botequim do José Grande, dedico uma:
Meu benjamim já se ria
A torto e a direito
Imaginem os da folia
Era gargalhada a eito.
O botequim da freguesia
Merecia homenagem
Sempre lembro que ali havia
Um copito p’ra viagem.
A Sociedade Filarmónica também merece cantigas:
À nossa Sociedade
Tive pena de não cantar
Tinha lembrado com saudade
Meu avô que não vi tocar.
Meu pai também lá passou
Como tantos que já partiram
Sem ser músico ele tocou
Em peças que já ruíram.
Em frente à mercearia que, na altura, pertencia ao presidente da Junta de Freguesia:
No ponto da mercearia
Com a cabeça já pesada
Era tanta a iguaria
Que já não ouvia nada.
Mesmo assim não arredei pé
Dos versos sempre a preceito
Mantive firme a fé
Da Matilde neste feito.
Já na Canada da Vassoura, a cantiga era outra:
Ao chegar a casa então
O movimento era maior
Estava armado o salão
Da cantoria melhor.
Estava tudo inspirado
Na rodada de cantigas
Cada qual sempre voltado
Para lembranças antigas.
Se eu lá tivesse cantado
Ao meu pai e à minha mãe
Em cada verso rimado
Caíam lágrimas também.
O meu pai muito sofreu
Com martírio de minha mãe
Às filhas sempre escondeu
Essa dor que já não tem.
Partiram já deste mundo
Do Pezinho sempre gostaram
Tenho p’ra mim que no fundo
Foram eles que cá cantaram.
Via no rosto das gentes
Convidadas e amigos
Que estavam ali contentes
Como nos tempos antigos.
Um dos versos que ouvi
Na Briança da Serreta
Trago agora para aqui
P’ra não ficar na gaveta.
[De José Gabriel (o Palhito )
Isto para mim é uma prosa
Mas é uma maravilha
Esquecemos de falar na Rosa
Que é da mesma família.]
Agora tenho a certeza
Que foi voz da minha mãe
Que com toda a subtileza
Me deu a conhecer também.
À luz da actualidade, confirma-se o meu intento:
Tive a prova no lançamento
Do “Mestre das Cantorias”
Ficou-me no pensamento
Senhor João destas folias.
Ele lembrava-se de mim,
Naquele olhar vejo azul,
Quem me dera antes do fim
Cantar-lhe a norte ou sul.
Será que Rosa é jeitosa
Quando canta na escrita?
Ao vivo só digo prosa
Mas a rima é mais bonita.
Só me falta ter coragem
De enfrentar este senhor:
Quero prestar homenagem
Ao célebre cantador.
Sei que saía cantiga
Mesmo com desconfiança
P’la Matilde, que era amiga,
Do Pezinho e da Briança.
Voltando ao passado e àquela Briança:
E aos outros cantadores
Que seguiam no cortejo
Merecem gratos louvores
Muita saúde desejo.
A Terceira é exemplar
Nesta longa maestria
E sempre ela soube dar
Bons passos na Cantoria.
Um louvor para a actualidade:
São de São Bartolomeu
As duas vozes parelhas
Uma é do novo Eliseu;
Outra: Ti’João das Velhas.
2008/04/13
Rosa Silva ("Azoriana")
Olá Azoriana
ResponderEliminarQuando chegar ao Contenente vou ler esses poemas todos.
Va ao meu blog
Bjs
Sabes que as mulheres sempre tiveram lugar nas cantorias. Veja-se o exmplo da Trulu e de por exemplo a Maria Augusta que era do Porto Judeu. Só não cantas se não quiseres! Tens genica, és repentistas, tens tudo para ser uma boa cantadeira! Se queres vai em frente! Quando conseguires diz para eu ir assistir!
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