Deus deu-me a Serreta
P'ra ser meu cantinho;
Deixei-a sozinha,
Fui noutro caminho.
Agora a Saudade
Prende-me assim:
Deixa-me ancorada
Num tempo sem fim.
Um nome me deram
Meus pais à nascença
Por tal eu me vejo
Na raiz da crença.
Cidália ou Rosa
Na mente dançando
Finda tal aposta
Rosa sai ganhando.
Se fosse Cidália
Rimava meu gosto
Mas foi em Abril
Que Rosa foi posto.
A cinco do mês
Fui a baptizar
Juntou-se Maria
Marca do lugar.
Deixei-o sozinho
Na força da vida
Por isso lhe canto
Tão enternecida.
E hoje o Divino
Junta-se aos velhinhos
Espírito Santo
Perfuma os caminhos.
Veio a Saudade
Trazer-me recado
Do pai e da mãe,
E padrinho ao lado:
«Tu és a Rosinha
Do nosso torrão
Simples e singela
Flor do coração.»
Rosa Maria
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