Poupança

Há uma palavra que sempre me atrai o olhar: "Serreta". É e sempre será o nome da freguesia de onde sou natural e que já bastante tenho escrito sobre ela. Qualquer dia entra naquele livro "The Guinness Book of Records", porque apesar de ter pouca densidade populacional, tem a Maior das Mães e coloquei-a a navegar pela internet. Estou em crer que qualquer dia não valerá mais a pena falar da Serreta porque, aos poucos, ficará apenas a recordação de um passado. O presente resumir-se-á ao mês de Setembro...

O encerramento da escola desta freguesia foi, mais uma vez, motivo de um artigo de jornal, pelo qual tenho o maior respeito e admiração. Não faço a total transcrição do artigo mas coloco a parte que reli e me abalou porque também abalei de lá e só não volto porque não tenho maneira de o fazer:

(...) A relação com a Serreta será cada vez mais à distância e diluída no espaço temporal. Vão lembrar-se do quê? Dos avós e do movimento inusitado das peregrinações à Nossa Senhora dos Milagres.
O pátio da Escola da Serreta ganhará monda em vez de guardar sons alegres de crianças dispostas a descobrir o mundo. Será mais um edifício fantasma, a juntar a uma famosa estalagem.
Não existirão memórias escritas a giz. Nesta época globalizante, o mais pequeno, mesmo dentro de uma ilha, é riscado do mapa da existência em nome do dito progresso.
Para a memória futura da Serreta, restará o cemitério. Aí, estou em crer, não há como fazer poupanças


Mais uma notícia que encontro em cima da mesa dos jornais e desta feita, outra vez de um jornalista cuja escrita é digna de registo. Se calhar ele nem me conhece, nem sabe que tudo o que se escreve sobre a Serreta é importante para mim e que os seus parágrafos me fazem relembrar o passado e que concordo plenamente com o que escreve, se bem que não haja nada a fazer a não ser esperar pela poupança no cemitério. Mas hoje aquela palavra "poupança" fez-me abrir as capelas, digo, os olhos.

Na verdade, sinto-me atordoada com a noite mal passada porque os "sonhos" com a proposta bancária que me anda a tirar do sério e fez com que eu não consiga atinar à luz do dia, que nem sei se está de cinza ou de azul celeste. Adiante... Adiante... O que será que este jornalista escrevia acerca das propostas do Banco, quase obrigatórias, que nos entram porta dentro, e que se agente não liga ou pensa que não respondendo a coisa fica anulada por si, acaba por se tornar uma "tentação" de ter uma coisa dourada na carteira que por sinal, hoje, só tinha a quantia de 75 cêntimos e que me dava unicamente (tinha poucas hipóteses de escolha) para o dito cujo galão para espevitar o olho e as restantes peças do corpo.

Como é que eu posso poupar se me estão a querer tentar a gastar?! Claro que não sou obrigada a aderir a esta "tentação" nem a gastar mas a coisa já mexe no meu bolso precisamente porque eu simplesmente ignorei aquela coisinha dourada e não respondi a tempo de evitar a avalanche de cartas e códigos... Enfim, aquela frase do jornalista não me sai agora da cabeça: "restará o cemitério. Aí, estou em crer, não há como fazer poupanças". E acrescento eu... Nem se recebem mais cartas no cemitério.

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