Um bonito monumento da cidade de Angra do Heroísmo - o Solar de Nossa Senhora dos Remédios.
Para além do valor histórico, cultural, patrimonial, é onde se situam alguns serviços próprios da administração regional dos Açores que se encontram listados num roteiro, divulgado na internet.
Breve história:
"Situado no Corpo Santo, freguesia de N. Srª. da Conceição, faz parte da zona classificada pela UNESCO como Património Mundial e constitui um dos mais notáveis conjuntos histórico - arquitectónicos da cidade de Angra do Heroísmo.
O seu fundador foi Pedro Anes do Canto, o 1º Provedor das Armadas e Naus da Índia na ilha Terceira, cargo para que foi nomeado em 1527, mantendo-se depois na sua descendência até à extinção já no séc. XIX.
Na baía de Angra, em posição privilegiada do Atlântico Norte, protegida dos ventos predominantes de Oeste, faziam escala as naus vindas da Mina e da Guiné, do Brasil e da Índia do Novo Mundo que se havia descoberto, buscando refúgio e o refresco das armadas. Ao Provedor das Armadas cabia, assim, o papel de prover as armadas de víveres frescos, munições, fazer reparações, dar assistência hospitalar e prestar todo o apoio de que necessitassem.
O seu filho, António Pires do Canto, que lhe sucedeu no cargo, mandou cronstruir a ermida por volta de 1540. Casou com D. Catarina de Castro, nascendo deste casamento Pedro de Castro, o primeiro que usa o conjunto dos dois apelidos, pelos quais passará a ser conhecida esta família. O seu filho primogénito, Manuel do Canto e Castro, sucedeu-lhe na administração da casa e nas funções de Provedor, vindo a herdar a grande casa de sua prima D. Violante do Canto, que se notabilizara pelo apoio que dera à causa de D. António, Prior do Crato, e que morrera sem filhos.
É nessa altura que o conjunto de casa e ermida do séc. XVI, sofreu a sua primeira grande alteração, quando Manuel do Canto e Castro mandou edificar no primeiro decénio do séc. XVII, a grande casa que hoje conhecemos como o Solar dos Remédios.
No final do séc. XVII, Manuel do Canto de Castro Pacheco (neto de Manuel de Canto e Castro) mandou reedificar a ermida, tomando esta o aspecto que hoje conhecemos, conservando a antiga imagem de N. Srª. dos Remédios. A Francisco Vicente do Canto e Castro Pacheco (1725-1809), neto de Manuel do Canto e Castro Pacheco, também ele Provedor das Armadas, se devem grandes obras de restauro, bem como a colocação da pedra de armas sobre o portão nobre da casa e que ainda hoje se pode ver no frontispício do Solar. O inventário que se realizou por sua morte apurou um riquíssimo conjunto de mobiliário, prata, porcelanas e tecidos. Sucedeu-lhe José Francisco do Canto e Castro Pacheco (1747-1818), que foi o último provedor das Armadas e Naus da Índia, pois o cargo extinguiu-se por sua morte, uma vez que já não tinha qualquer utilidade prática. Segue-lhe no cargo o seu filho, Francisco José Cupertino do Canto e Castro Pacheco de Sampaio (1777-1845), que embora tenha nascido no Solar dos Remédios estudou, casou e viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde acabou por morrer. Sucede-lhe o seu filho Miguel do Canto (1814-1888), par do Reino e governador civil do Porto, e que morreu solteiro, deixando todos os bens a sua irmã D. Maria Luísa do Canto, que também morreu solteira em 1890, pelo que destinou toda a sua fortuna por um testamento que, na altura, levantou grande polémica. O Solar dos Remédios foi deixado a Francisco do Canto e Castro, seu primo e imediato sucessor na representação desta ilustre casa, o qual acabou por vendê-lo no princípio do séc. XX à Irmandade de Nª Srª. do Livramento, para instalação do Orfanato "Beato João Baptista Machado" que aqui funcionou até ao sismo de 1980.
Por ocasião deste formidável abalo de terra que danificou e destruiu uma parte substancial da cidade de Angra, o Solar ficou também muito danificado, especialmente a Capela que ficou quase totalmente destruída. Por acordo com a Irmandade, o Governo Regional obteve a posse deste imóvel, que foi submetido a um vasto plano de restauro, reintegração e adaptação às novas funções para que era solicitado, ou seja, a instalação de uma das Secretarias Regionais sediadas em Angra.
Os Provedores das Armadas, proveram as armadas e proveram a cidade de Angra de um valioso património histórico e monumental, para sempre ligado à grande epopeia marítima dos Descobrimentos e aos grandes acontecimentos que marcaram a história de Portugal Continental e Insular.
O "Solar dos Provedores das Armadas", o "Solar dos Cantos", ou "Solar de Nossa Senhora dos Remédios", é testemunho vivo da história, que se perpetuará pelas gerações vindouras.
Hoje é sede da Secretaria Regional dos Assuntos Sociais."
Baseado na obra de: Jorge Forjaz, O solar de Nossa Senhora dos Remédios, 1978.
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