Foi neste livro que encontrei as quadras da improvisadora Maria Augusta de Castro Borges (*27/09/1877; +02/11/1971), da freguesia do Porto Judeu, ilha Terceira - Açores, que me fizeram redobrar as saudades do meu filho que se encontra ausente há uns largos meses.
Nas páginas 94 e 95, encontrei uma carta inédita enviada ao filho residente em Tracy, na Califórnia, conforme consta da introdução às quadras e onde também J. H. Borges Martins considera que se pode avaliar a intensidade afectiva do seu canto. Oxalá que este autor não se melindre por publicar aqui a referida carta porque só mostra que também gostei da mesma e acho que é bom partilhar com o mundo:
E na página 259 retive a quadra que se segue porque achei sublime:
Nas páginas 94 e 95, encontrei uma carta inédita enviada ao filho residente em Tracy, na Califórnia, conforme consta da introdução às quadras e onde também J. H. Borges Martins considera que se pode avaliar a intensidade afectiva do seu canto. Oxalá que este autor não se melindre por publicar aqui a referida carta porque só mostra que também gostei da mesma e acho que é bom partilhar com o mundo:
Filho do meu coração,
A tua ausência me mata;
Recebe a minha benção
Juntamente a esta carta.
Filho, a quem quero bem,
Nunca te esqueças de mim;
Olha que o amor de mãe
É um tesouro sem fim.
Tem um valor radiante,
Porque é santo e puro,
É uma estrela brilhante
Que brilha pelo escuro.
Eu até posso jurar
Aqui no Porto Judeu,
Que nunca vais encontrar
Amor puro como o meu.
Vem ver aonde foste nado,
Aonde entraste na vida,
O torrão abençoado
Da tua infância querida.
Pensa que o mundo é de enganos,
A minha vida está no fim;
Já fez vinte e sete anos
Que estás ausente de mim.
Logo que saúde tens
P'ra mim não sejas ingrato,
Já que à terra não vens
Manda-me o teu retrato.
Se eu pudesse voar,
Fosse nova como és;
Ainda te ia abraçar
E lá morrer aos teus pés.
Maria Augusta de Castro Borges
(A Maria Augusta)
1877-1971
94 anos
A tua ausência me mata;
Recebe a minha benção
Juntamente a esta carta.
Filho, a quem quero bem,
Nunca te esqueças de mim;
Olha que o amor de mãe
É um tesouro sem fim.
Tem um valor radiante,
Porque é santo e puro,
É uma estrela brilhante
Que brilha pelo escuro.
Eu até posso jurar
Aqui no Porto Judeu,
Que nunca vais encontrar
Amor puro como o meu.
Vem ver aonde foste nado,
Aonde entraste na vida,
O torrão abençoado
Da tua infância querida.
Pensa que o mundo é de enganos,
A minha vida está no fim;
Já fez vinte e sete anos
Que estás ausente de mim.
Logo que saúde tens
P'ra mim não sejas ingrato,
Já que à terra não vens
Manda-me o teu retrato.
Se eu pudesse voar,
Fosse nova como és;
Ainda te ia abraçar
E lá morrer aos teus pés.
Maria Augusta de Castro Borges
(A Maria Augusta)
1877-1971
94 anos
E na página 259 retive a quadra que se segue porque achei sublime:
Quatro letras, por sorte,
Dizem a palavra amor,
Menos uma do que a morte
E mais uma do que a dor.
Francisco Coelho do Álamo
(O Francisco Tomás)
1910-1978
Freguesia dos Altares
Dizem a palavra amor,
Menos uma do que a morte
E mais uma do que a dor.
Francisco Coelho do Álamo
(O Francisco Tomás)
1910-1978
Freguesia dos Altares
A maria augusta, foi a minha parteira! Tenho orgulho nisso e por isso procurei a aobra dela. essa carta eu possuo-a, bem como outros escritos, que farei os possiveis por colocar em livro, por isso não te melindres com o aoutor do livro porque poderias ter retirado a carta de qualquer lugar! Abraços
ResponderEliminarBom dia Azoriana
ResponderEliminarTemos andado um tanto distantes, digo eu.
De facto, os Açores estão a duas hoas de voo, de avião, aqui do continente. Mas, muito sinceramente, fiquei a sentir-me muito ligado à Terceira.
Gostei deste post. Do sentimento de saudade que perpassa por todo o seu conteúdo. Imagino que os meus compatriotas a viver nas Ilhas possam ter mais tendência para a nostalgia. Mas eu também a sinto.
Tenho que voltar à Terceira.
Preciso de olhar melhor toda a zona do Raminho, Altares...
Um abraço
António Nunes