JOÃO DOS OVOS, OLÉ!
I
Chamava-se João. Não era santo.
Apenas foi figura popular,
Daquelas que o povo ama tanto
E guarda como herança de estimar.
Nascido nesta ilha engraçada,
Arraçado de um salero sem medida,
Formado na escola da tourada,
Foi na rua que aprendeu o que era a vida.
II
Mais prosa que fidalgo sem dinheiro,
Mais livre do que ave em viagem,
João foi o capinha derradeiro
Do passe ao nosso toiro da coragem.
O guarda-sol no braço era o selo
De um estilo que jamais foi esquecido.
Tão lindo! Pois o toiro, só em vê-lo,
Já sabia que o João era atrevido!
III
A graça que esbanjava no caminho,
Assim como se dava em amizade,
Faz, dele, esta memória de carinho
Deposta no palanque da saudade.
Corsário que a gente admirava
Quando alguém lhe puxava p'la veneta.
Mas era assim que o povo o amava.
Com João, quem não pode não se meta.
Refrão:
Este senhor,
De nome João,
Quem é? Quem é?
Diz o povo desta ilha
A gritar do coração:
João dos Ovos!
Olé! Olé!
Texto: Álamo Oliveira
Música: Carlos Alberto Moniz
Este é um dos temas que faz parte do CD - Sanjoaninas 2005.
Tive esta linda oferta da Comissão. Já agradeci pessoalmente e agora agradeço publicamente.
E a vós digo: - Viva! Viva!
Que a alegria estampada em cada rosto
Traz-nos um ano bem disposto!
Viva a mui nobre cidade de Angra do Heroísmo
Em festa tão bem vivida
Mão cheia de amor e patriotismo,
Foi por vós assinalada com gosto,
Neste que é um lema muito bem posto,
Álamo de Oliveira, com sua poesia tão querida!
Angra, Baía de Encanto
I
Angra, baía de encanto;
Verso tecido ao luar;
Mesa de água onde janto
Ondas vadias do mar;
Sonho por mim navegado
Em noite de São João.
Anda, vem pôr-te ao meu lado!
Tu não me digas que não!
II
A festa desta cidade
É toda feita de gente,
Que veste, por amizade,
Toda a alegria que sente!
E, na varanda, pendura
A sua colcha lilás.
Ó meu amor, quem me cura,
Se nem um beijo me dás?!
III
Marcha com versos rimados
No mar azul da baía,
Como se fossem pintados
À mão p'la nossa poesia.
Vê-la, na rua, passando,
É um prazer sem ter fim.
Ai meu amor, até quando
Vais ser assim para mim?!
Refrão:
Na nossa marcha,
Quem não canta fica mal;
Quem não baila fica igual
E é bem feito!
Anda para cá,
Que o amor, p'lo São João,
É pegar-deixar da mão.
Vai tudo a eito!
Tu não me digas,
Nem sequer por brincadeira,
Que não saltas a fogueira,
Que é toda tua!
Ouve o que diz
Nosso amigo São João:
«Quem tem medo compra um cão
E vem pra rua!»
Texto: Álamo Oliveira
Música: Carlos Alberto Moniz
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