Poetas em Destaque - Paulo Roldão

Açores... espelho da Alma

Arquipélago...
conjunto de Ilhas
Ilhas...
pedaços de terra
rodeados de água por todos os lados

Açores...
nove ilhas plantadas
no meio do mar alto
do Oceano Atlântico
nove ilhas vulcânicas
cobertas por um manto
uma colcha de retalhos
de uma simplicidade extrema
de uma beleza tamanha

Sistema Solar...
nove planetas
no meio do vácuo
no imaginário meio de nada
na noite escura e eterna

Neste Oceano que nos banha
na encruzilhada
das placas tectónicas
onde se cruzem e descruzam
uma décima ilha
está para nascer
a irmã mais nova...
quem sabe...

No vácuo
que nos rodeia
sem nos dar-mos conta
existe um décimo planeta
no outro lado de nós... dizem
no lado de lá...do Sol
deste Sol que nos é familiar

Pequenos ilhéus
rodeiam estas ilhas
banhadas de luz
cor e fantasia
uns maiores
outros menores

Luas
é o nome que lhes dão
a esses corpos celestes
aparentemente sem vida
que sem razão aparente
circundam os planetas
numa interminável dança

Esta região
arquipélago como lhe chamam
situa-se na cauda da Europa
como se esta fosse um mero cometa
e nós
a cauda brilhante dele

Neste local onde estamos
via láctea é o seu nome
também está
na cauda de algo maior
que um mero cometa
algo que de algo nada tem
algo incompreensível
sem compreensão aparente

O Sol ilumina-nos a todos
pobres e ricos
remediados e outros que tais
de dia aqui
de noite ali

O anti-ciclone
protege-nos
do quê não sei bem
mas protege
e influencia o estado do tempo
aqui e ali

Cada ilha tem as suas gentes
a sua cultura
a sua maneira de estar
a sua individualidade
indivisível

Cada lua tem as suas particularidades
diferentes umas das outras
cada qual com as suas condições
agrestes sem duvida
sem vida talvez

Serás tu
a extinta Atlântida?
O espelho do nosso sistema solar?

Açores
meus Açores
terás tu
algum propósito definido
pela mão de Deus?

Tu ...
Açores
criado pela mão de Deus
és o espelho da Alma
materializado nesta Atlântida submersa
sem que ninguém se dê conta disso
sem que ninguém se aperceba de tal facto
sem que ninguém se importe
da importância que tens

6 de Novembro de 2003

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