"Que importava se era Natal!"

"Quando era menino e feliz, apesar das parcas possibilidades dos meus pais, o Natal era uma festa e não existiam supermercados.
Recordo-me de ir a correr ao Sr. Manuel da mercearia para comprar um quilo de açúcar o que era raro.
Regressava a correr a casa, subia a correr os muitos degraus da escada e voltava à mercearia com outras encomendas. E pela rua soletrava ou repetia em voz alta para não me esquecer -: 100 gramas de manteiga, meia dúzia de ovos, fermento royal, um pedaço de canela e um litro de óleo.
Regressava a correr subia a escadas a correr quando minha mãe me perguntava se tinha trazido tudo, se me esquecia de alguma coisa, minha mãe chamava-me “cabeça de vento” e eu voltava novamente a correr. Que importava se era Natal!
E ficava a ver minha mãe a amassar as filhoses e eu rapava o fundo ao alguidar.
Era de facto uma festa e o meu entusiasmo na participação acabava na manhã do dia de Natal quando procurava, no meu sapato carcomido, pelo presente desejado, mas era feliz.
Feliz Natal"

Autor: Rogério Simões ("Poemas de Amor e Dor")
Nota: foi autorizada, pelo autor/poeta, a publicação deste texto magnífico que me trouxe boas recordações de um passado recolhido na mente; aconselho-vos a leitura dos artigos do autor)

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